Segundo a OMS, Orga­ni­za­ção Mun­dial de Saúde, 50% da popu­la­ção sente pelo menos um epi­só­dio de dor de cabeça por ano e 15 a 22,5% das pes­soas no mundo todo sofrem de enxa­queca. Os sin­to­mas dife­ren­ci­ais desse mal foram des­cri­tos desde os tem­pos anti­gos. Enxa­que­cas, ou migrâ­nias, são dife­ren­tes das dores de cabeça mais comuns. Estas são ten­si­o­nais, cau­sa­das por con­tra­tura mus­cu­lar nos ombros, pes­coço ou couro cabe­ludo. Ata­ques de enxa­queca são resul­tado do dis­paro de um cir­cuito neu­ral e vas­cu­lar e geral­mente libe­ram uma dor pul­sante em um dos lados da cabeça e que pode durar de qua­tro horas a vários dias. Os sin­to­mas mais comuns da enxa­queca podem incluir alte­ra­ções na visão, náu­seas, vômi­tos, sen­si­bi­li­dade aos níveis nor­mais de luz ou de som e dor que piora com o movi­mento. Até 6% dos homens e 18% das mulhe­res sofrem de enxa­que­cas, que tam­bém atin­gem cerca de 10 — 15% das cri­an­ças meno­res de 18 anos de idade.

Ati­vi­da­des diá­rias tor­nam-se difí­ceis, com dor vari­ando de mode­rada a grave. Mais da metade dos paci­en­tes com enxa­queca têm pelo menos um ata­que por mês. Antes ou durante um ata­que, cerca de uma em cada cinco pes­soas expe­ri­men­tam o fenô­meno da aura — alte­ra­ções da visão ou uma per­tur­ba­ção em outros sen­ti­dos, da coor­de­na­ção motora ou da fala.

Para alguns paci­en­tes com enxa­queca, cer­tas ati­vi­da­des ou ali­men­tos podem desen­ca­dear um ata­que. Ata­ques de enxa­queca têm sido asso­ci­a­dos ao con­sumo de vinho tinto ou cer­veja, queijo, cho­co­late, fru­tas cítri­cas, como laran­jas, e chá ou café. O stress pode tam­bém ser um fator de gatilho.

Os ali­men­tos que podem desen­ca­dear um ata­que são rela­ti­va­mente ricos em ami­nas, o que pode alte­rar o fluxo san­guí­neo no cére­bro. O cho­co­late con­tém feni­le­ti­la­mina (bem como outros poten­ci­ais fato­res de gati­lho, como teo­bro­mina e cafeína). Fru­tas cítri­cas con­tém octo­pa­mine; vinho tinto e cer­veja con­têm his­ta­mina. Vinho tinto e cer­veja tam­bém con­têm tira­mina, assim com laran­jas e outras fru­tas cítri­cas, queijo (espe­ci­al­mente as vari­e­da­des enve­lhe­ci­das, com sabor mais encor­pado ou tipo Ched­dar), café e outros pro­du­tos ou fon­tes de proteína.

Uma vez que a gra­vi­dade e frequên­cia das cri­ses de enxa­queca podem inter­fe­rir nas ati­vi­da­des de vida diá­ria, a con­di­ção pode afe­tar dras­ti­ca­mente o tra­ba­lho, famí­lia e vida social. Esti­ma­ti­vas colo­cam o custo anual da enxa­queca em US$ 14 bilhões, de acordo com o rela­tó­rio de 2011 da Aca­de­mia Naci­o­nal de Ciên­cias dos EUA, “Alí­vio da Dor na Amé­rica”. Já a Orga­ni­za­ção Mun­dial da Saúde, por sua vez, coloca a enxa­queca no 19º lugar no ran­king das cau­sas de anos vivi­dos com inca­pa­ci­dade (YLD).

Des­cri­ções his­tó­ri­cas de enxa­queca datam de longo tempo, como há 6.000 anos. Na Gré­cia antiga, por exem­plo, o médico Hipó­cra­tes escre­veu sobre dis­túr­bios visu­ais cau­sa­dos por enxa­queca. Hoje, os pes­qui­sa­do­res ainda estão des­co­brindo novas infor­ma­ções sobre esta con­di­ção. A rela­ção gené­tica da enxa­queca foi des­co­berta em 2010. O tra­ta­mento medi­ca­men­toso da enxa­queca inclui anti­es­pas­mó­di­cos, antihi­per­ten­si­vos e anti­de­pres­si­vos com pro­pri­e­da­des anal­gé­si­cas. No entanto, estes podem cau­sar efei­tos cola­te­rais, tais como náu­seas, sono­lên­cia ou erup­ções cutâ­neas. Além des­sas opções de medi­ca­men­tos, alguns paci­en­tes esco­lhem podem ser tra­ta­dos com peque­nas inte­ven­ções, em geral fei­tas no pró­prio con­sul­tó­rio. A mais comum delas é a desa­ti­va­ção de pon­tos de dor atra­vés do blo­queio com anes­té­sico, mas inje­ções de Botox na região pos­te­rior do pes­coço tam­bém pode ser efe­ti­vas, embora ses­sões repe­ti­das pos­sam ser necessárias.

A Clí­nica Dela­borba Neu­ro­ci­rur­gia e Endo­cri­no­lo­gia indica que uma sequên­cia de tra­ta­men­tos deve ser seguida , mas mesmo depois de cum­prir todas as eta­pas de um pro­to­colo, alguns paci­en­tes com enxa­queca não encon­tram alí­vio ou não con­se­guem tole­rar os tra­ta­men­tos padrões. Nes­ses casos da assim cha­mada dor refra­tá­ria, pode-se ten­tar um tra­ta­mento ori­gi­nal­mente usado para neu­ral­gia occi­pi­tal. Os ner­vos occi­pi­tais estão envol­vi­dos no cir­cuito desse tipo de dor e isso foi iden­ti­fi­cado desde a década de 1990, quando espe­ci­a­lis­tas come­ça­ram a apli­car uma tera­pia dire­ci­o­nada para os mes­mos. A téc­nica trans­mite cor­ren­tes elé­tri­cas leves atra­vés de um con­junto de peque­nos ele­tro­dos, colo­ca­dos sob a pele, perto da base do crâ­nio, acima dos ner­vos occi­pi­tais. Acre­dita-se que a esti­mu­la­ção elé­trica dos ner­vos occi­pi­tais esti­mula a liber­ta­ção de subs­tân­cias quí­mi­cas natu­rais que ali­viam a dor, acal­mam ner­vos hipe­rex­ci­tá­veis, limi­tam o envio de men­sa­gens de dor para o cére­bro e tam­bém podem melho­rar a cir­cu­la­ção de san­gue local.

A esti­mu­la­ção faz parte de um grupo de tera­pias conhe­cida como neu­ro­mo­du­la­ção. Uma vez que o tra­ta­mento se dirige a ner­vos peri­fé­ri­cos em vez de no pró­prio cére­bro ou na coluna ver­te­bral, é deno­mi­nado “esti­mu­la­ção de nervo peri­fé­rico”, ou PNS. Um sis­tema de neu­ro­es­ti­mu­la­ção é ten­tado pri­meiro de forma tem­po­rá­ria, e em seguida, implan­tado per­ma­nen­te­mente em paci­en­tes que se bene­fi­ciam. Em 2003, a esti­mu­la­ção do nervo occi­pi­tal usando PNS foi alar­gada para tra­tar a enxa­queca crô­nica. Os impul­sos elé­tri­cos sua­ves são envi­a­dos por uma uni­dade pequena, seme­lhante a um marca-passo, o qual mui­tas vezes é implan­tado em um espaço cri­ado pelo médico abaixo da pele da parede ante­rior do tórax, perto da cla­ví­cula. Para con­du­zir os impul­sos, um extenso fio fino é inse­rido abaixo da pele ao longo do pes­coço e atrás da ore­lha, conec­tando os ele­tro­dos com os ner­vos a serem tra­tado. Os paci­en­tes rece­bem um con­trole remoto que eles usam para ati­var e desa­ti­var a esti­mu­la­ção, usando as con­fi­gu­ra­ções ajus­ta­das pelo médico.

Embora o uso tera­pêu­tico da neu­ro­es­ti­mu­la­ção elé­trica ainda esteja expan­dindo-se, o poten­cial bene­fí­cio de ali­viar a dor — e enxa­que­cas — com esti­mu­la­ção elé­trica foi obser­vado sécu­los atrás. Na época romana, por exem­plo, segundo his­to­ri­a­do­res médi­cos, o médico-filó­sofo Galen reco­men­dou o uso do cho­que de um raio comum, o peixe tor­pedo do Medi­ter­râ­neo, para ali­viar a dor da enxaqueca.

Con­tate a Clí­nica Dela­borba Neu­ro­ci­rur­gia e Endo­cri­no­lo­gia em Bra­sí­lia DF para mais infor­ma­ções e mar­que uma consulta.

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